A Coisa

A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa… e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.

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Evolução

Todas as noites o sono nos atira da beira de um cais
e ficamos repousando no fundo do mar.
O mar onde tudo recomeça…
Onde tudo se refaz…
Até que, um dia, nós criaremos asas.
E andaremos no ar como se anda em terra.

[in: Esconderijos do Tempo]

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Auto-Leitura

A minha obsessão por sapatos e vacas
Diverte os amigos
Os inimigos
Os psicólogos
Creio que diverte também até as próprias vacas
– menos a Poesia!

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O Silêncio

Há um grande silêncio que está sempre à escuta…

E a gente se poe a dizer inquietantemente qualquer coisa, qualquer coisa, seja o que for,
desde a corriqueira dúvida sobre se chove ou não chove hoje
até tua dúvida metafísica, Hamleto!

E, por todo o sempre, enquanto a gente fala, fala, fala
o silêncio escuta…
e cala.

[Esconderijos do Tempo]

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Um poema?

No mundo não há nada mais triste do que uma boneca morta…
Talvez porque sua mãezinha tenha morrido de parto!
Ou encontrar um vestido de noiva numa casa de penhores
Ou começar cheio de rimas quando se escreve em prosa
Ou não encontrar rimas quando se escreve em verso
(Também, quem me mandou escrever clássico?!)
Bendita seja a Isadora Duncan, que inventou o verso livre da dança!
Só não sei,
Mesmo,
O que eu queria dizer com tudo isso…

[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]

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Nos salões do sonho

Mas vocês não repararam, não?!
Nos salões do sonho nunca há espelhos…
Por quê?
Será porque somos tão nós mesmos
Que dispensamos o vão testemunho dos reflexos?
Ou, então
– e aqui começa um arrepio –
Seremos acaso tão outros?
Tão outros mesmos que não suportaríamos a visão daquilo,
Daquela coisa que nos estivesse olhando fixamente do outro lado,
Se espelhos houvesse!
Ninguém pode saber… Só o diria
Mas nada diz,
Por motivos que só ele conhece,
O misterioso Cenarista dos Sonhos!

[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]

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Arte poética

Esses poetas que tudo dizem
Nada conseguem dizer:
Estão fazendo apenas relatórios…

[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]

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